segunda-feira, 7 de maio de 2012


Traduções interlineares da Bíblia

ESCREVERAM-SE manuscritos que continham as inspiradas Escrituras Gregas num lado da página e a tradução da Vulgata latina no outro lado da mesma página. Isto permitia a comparação dos textos nas duas línguas. Fizera-se com “palavras corretas de verdade” a tradução latina da Bíblia inteira, do tradutor católico Jerônimo? Bem, os que sabem latim e grego podem comparar os dois textos e verificar isso por si mesmos.

 No ano de 1528, um frade italiano chamado Sanctes Pagninus publicou em Lião, na França, uma obra em que ele trabalhara durante trinta anos. Seu título em latim, traduzido ao português, é “Uma Nova Tradução do Antigo e do Novo Testamento”. Tratava-se, naturalmente, duma tradução em latim. Posteriormente, publicou-se dela uma edição em Lião, por Servetus, em 1542. No ínterim, porém, apareceu no cenário o sacerdote espanhol e orientalista chamado Arias Montanus. O Rei Filipe II, da Espanha, o convocou para trabalhar numa projetada Bíblia Poliglota, que o rei mandava fazer à sugestão do famoso impressor Plantin. Esta Bíblia foi finalmente impressa em Antuérpia, em 1569-1572. Seu título em latim, traduzido ao português, é “A Bíblia Sagrada em Hebraico, Caldeu, Grego e Latim, de Filipe II, Rei, Católico em Piedade e Erudição, para o Uso Sacrossanto da Igreja”, impressa por Plantin, em oito (8) volumes, em formato in-fólio. Por causa do lugar onde foi impressa, é em geral chamada de “Poliglota de Antuérpia”. Às vezes é chamada de “Bíblia Real”, por causa do patrocínio do Rei Filipe II; e outras vezes de “Bíblia Plantiniana”, segundo o impressor.

 O sacerdote espanhol Arias Montanus incorporou nesta Poliglota de Antuérpia uma correção da tradução latina da Bíblia por Sanctes Pagninus. Arias Montanus morreu anos depois, em 1598. No ano de 1599 e nos anos de 1610-1613 publicaram-se edições do texto latino da Bíblia de Pagninus, as quais forneciam uma tradução interlinear e de palavra por palavra do hebraico, junto com a pontuação vocálica, hebraica, havendo por cima do texto hebraico a tradução latina. Esta Bíblia hebraico-latina foi por muito tempo considerada a Bíblia hebraica mais conveniente para os que começavam a aprender o hebraico. A Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia (E. U. A.) possui exemplares originais da tradução interlinear impressa pela gráfica de Plantin, e os onze volumes levam as datas de 1610, 1611, 1612, 1613 e 1615. O primeiro volume, contendo os livros bíblicos de Gênesis e Êxodo, tem o título latino que traduzido ao português é “Bíblia Hebraica com Interpretação Interlinear Latina de Sanctes Pagninus de Lucca”.

 O décimo volume, que começa com o Evangelho de Mateus, tem o título que, traduzido ao português, reza: “Novo Testamento Grego com a Interpretação Latina Comum Inserida Entre as Linhas do Contexto Grego, cuja interpretação, deveras, . . . expressando evidentemente mais o sentido do que as palavras, é colocada ao lado, na margem do livro, e outra do Benedito Arias Montanus, o Espanhol, . . .” Nesta obra, a tradução latina aparece acima do texto grego, palavra por palavra.

 No fim do século dezesseis e no princípio do século dezessete, portanto, publicou-se esta tradução interlinear e palavra por palavra da Bíblia. Esta matéria interlinear foi incorporada na Bíblia Poliglota, publicada em 1654-1657 pelo famoso prelado britânico Dr. Brian Walton. A Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia possui exemplares originais desta obra maciça, em oito volumes grandes. O cabeçalho acima da parte interlinear para o texto hebraico e o acima do texto grego mencionam o frade italiano Pagninus e o sacerdote espanhol Arias Montanus, para mostrar a origem da matéria.

 Duzentos anos depois, produziu-se algo mais prático para os estudantes da Bíblia em geral. No ano de 1857, Benjamin Wilson, editor de jornal em Geneva, Ilinóis, E. U. A., publicou a primeira parte de sua tradução interlinear das inspiradas Escrituras Gregas. A parte final foi publicada em 1863. Foi publicada em um só volume em 1864 e chamada de “The Emphatic Diaglott”. O nome “Diaglott” significa literalmente “através da língua”, mas entende-se que signifique “interlinear”. Em 1902, compraram-se os direitos autorais e os clichês da Diaglott da Fowler & Wells Company da cidade de Nova Iorque os quais foram dados como presente à Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos E. U. A.), cujo presidente naquele tempo era Charles Taze Russell. No ano de 1927, esta Sociedade começou a publicar a Diaglott impressa nas suas próprias prensas, e continua a publicá-la até hoje.

 Na larga coluna do lado esquerdo de cada página, a Diaglott apresenta o texto grego, usando a recensão feita pelo Dr. J. J. Griesbach, alemão, em 1775-1777, e debaixo de cada palavra grega apresenta o seu equivalente em inglês. Na estreita coluna à direita de cada página, ela apresenta a tradução moderna, inglesa, feita por Benjamin Wilson.

 Foi através da The Emphatic Diaglott que o primeiro presidente da Sociedade, C. T. Russell, soube que as inspiradas Escrituras Gregas falavam da segunda “presença” de Cristo, pois a Diaglott traduzia a palavra grega “parousia” corretamente por “presença”, e não por “vinda”, como o fazia a Versão Rei Jaime da Bíblia. Por conseguinte, quando C. T. Russell começou em julho de 1879 a publicar a nova revista bíblica, ele a chamou de Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo. Atualmente, noventa e um anos depois, esta revista se intitula “A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová”, e é publicada em setenta e dois idiomas. Parece que, quando primeiro deu nome à revista, em 1879, o editor Russell não se apercebia de que em 1862, ou um ano antes de se completar The Emphatic Diaglott, o Dr. Robert Young já publicara em Edimburgo, na Escócia, a tradução bíblica chamada “Tradução Literal de Young da Bíblia Sagrada”, e que esta tradução também vertia a palavra grega “parousia” como “presença” e não como “vinda”. Ele produziu também a Analytical Concordance to the Bible (Concordância Analítica da Bíblia) de Young, na qual, na página 188, coluna um, se mostra que parousia significa estar ao lado” ou “presença”. O número de abril de 1883 da Torre de Vigia recomendou esta concordância aos estudantes da Bíblia.

Após The Emphatic Diaglott, publicaram-se outras traduções interlineares das Escrituras Sagradas. No ano de 1877, publicou-se em Londres, na Inglaterra, o que foi chamado de “O Novo Testamento Grego Para o Inglês”, de Samuel Bagster and Sons, Limited, apresentando uma tradução interlinear, palavra por palavra, sob o texto grego de Stephanus, de 1550, junto com a Versão Autorizada do Rei Jaime, de 1611, na coluna externa de cada página. Depois, em 1960, esta mesma editora publicou The Interlinear Greek English New Testament (O Novo Testamento Interlinear Grego-Inglês). Este apresenta na coluna à direita de cada página o texto grego conforme compilado pelo erudito alemão Eberhard Nestle, de 1898, com uma tradução de palavra por palavra por baixo, feita pelo Dr. Alfred Marshall. Ao lado dela, na coluna à esquerda de cada página, imprimiu-se a tradução da Versão Rei Jaime ou Autorizada. Quanto a uma tradução interlinear das Escrituras Hebraicas, publicou-se em Chicago, Ilinóis, E. U. A., em 1896, The Interlinear Literal Translation of the Hebrew Old Testament (A Tradução Interlinear Literal do Antigo Testamento Hebraico). Publicou-se apenas um volume dela, contendo Gênesis e Êxodo, cuja tradução interlinear foi feita por George Ricker Berry, doutor de filosofia.

UMA NOVA TRADUÇÃO INTERLINEAR

 E agora, nas Assembléias Internacionais “Paz na Terra” das Testemunhas de Jeová, em 1969, lançou-se para o público leitor The Kingdom Interlinear Translation of the Greek Scriptures (A Tradução Interlinear do Reino das Escrituras Gregas). Trata-se de um livro encadernado de 1.184 páginas. O texto grego usado é o preparado e publicado por Westcott e Hort, em 1881. Abaixo deste imprime-se uma tradução literal, palavra por palavra. Na coluna ao lado, à direita de cada página, apresenta-se a moderna tradução da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, numa edição revisada. No entanto, na tradução literal, interlinear, do grego, as palavras inglesas não foram tomadas diretamente da Tradução do Novo Mundo e transferidas para debaixo das respectivas palavras gregas. Não! Mas, debaixo de cada palavra grega colocou-se o seu sentido básico, segundo a sua construção gramatical, quer concorde literalmente com a Tradução do Novo Mundo, quer não. O que nós estudantes da Bíblia devemos querer é saber o que o texto original grego diz. Apenas por determinarmos este significado básico é que podemos saber se a tradução do Novo Mundo ou qualquer outra tradução da Bíblia está certa ou não.

 Por exemplo, em Mateus 8:5, a Tradução do Novo Mundo usa a expressão “oficial do exército”, mas a tradução interlinear, sob a palavra grega, reza “centurião”, porque é este nome que o texto grego dá literalmente a este oficial do exército. Em Marcos 6:21, encontram-se as palavras “comandantes militares”, mas sob a palavra grega lê-se “quiliarcos”, significando comandantes de mil soldados, pois é este nome que a palavra grega dá literalmente a estes oficiais do exército. Em Atos 19:41, a Tradução do Novo Mundo tem a palavra “assembléia”, mas o texto interlinear diz “eclesia”, igual ao grego. Neste versículo específico não se refere a uma “igreja” ou a uma “congregação”, assim como em outros lugares. Deste modo aprendemos pormenores mais específicos.

 A Tradução Interlinear do Reino contém e preserva para nós tanto o Prefácio como o Apêndice encontrados na edição inglesa da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, publicada no ano de 1950. Trata-se de duas particularidades bem vitais, porque A Tradução Interlinear do Reino tem notas ao pé da página que indicam ao leitor tal Prefácio e Apêndice, e também a Explicação dos Símbolos Usados nas Referências Marginais. Por exemplo, estas notas ao pé da página lhe indicam o Prefácio para que saiba por que, na Tradução do Novo Mundo, o nome divino de Jeová aparece na sua tradução das Escrituras Gregas.

 Naturalmente, o texto de Westcott e Hort não contém em si mesmo o nome Jeová ou Javé. Mas em Revelação 19:1, 3, 4, 6, o texto grego contém a palavra Hallelouiá, e debaixo desta palavra grega a tradução interlinear a traduz cada vez literalmente por “Aleluia”. Trata-se realmente duma frase hebraica que significa “Louvai a Já”, sendo que a palavra “Já” é uma abreviação de Jeová. Por isso, a Tradução do Novo Mundo, na coluna à direita, verte-a: “Louvai a Já!” Em outros lugares em que a Tradução do Novo Mundo usa o nome divino Jeová, a tradução interlinear, literal, coloca “Deus” ou “Senhor”, ou “o Senhor”, sob as palavras correspondentes do texto grego de Westcott e Hort. Mas as notas ao pé da página mostram onde traduções hebraicas das Escrituras Gregas inspiradas usaram o nome de Deus, Jeová, nestes lugares. As notas ao pé da página mostram também onde até mesmo The Emphatic Diaglott usa o nome de Jeová em diversos lugares na sua tradução moderna, mas não na interlinear.

 A palavra portuguesa “alma” é muito mal entendida, sendo que a maioria das pessoas religiosas pensa que o uso bíblico da palavra a faz significar que o homem tem uma alma imortal, invisível, no seu íntimo, que se afasta do corpo humano por ocasião da morte. Com A Tradução Interlinear do Reino pode verificar que isto não é verdade, pois a versão interlinear mostra “alma” debaixo da palavra grega psykhe’, sempre que esta ocorra. Em 1 Coríntios 2:14 e 15:44, 46, e em outra parte, encontrará na parte interlinear a forma adjetiva inglesa “soulical” (“de alma”), pois a palavra grega acima dela é psy.khy.kos’, que a Tradução do Novo Mundo verte como “físico”, não “psíquico”. Mateus 10:28 fala de a alma ou psique ser destruída, e em Revelação 16:3 fala de a alma ou psique morrer. A alma humana não é imortal.

 A Tradução Interlinear do Reino mostra claramente que o grego comum em que os discípulos de Jesus escreveram as inspiradas Escrituras Gregas não continha os artigos indefinidos “um” e “uma”. Por quê? Porque em parte alguma na tradução interlinear inglesa encontrará estes artigos indefinidos. Isto é muito importante, porque tais artigos indefinidos podem resultar numa diferença de sentido. Por exemplo, pode haver uma diferença entre “Deus” e “um deus”, não pode? Isto se dá especialmente quando o grego usa o artigo definido “o” antes do título “Deus”. Em tais casos, a versão interlinear reza “o Deus” (ou “o deus”). Mas nos casos em que a expressão grega “o Deus” se refere àquele a quem os trinitaristas chamam de “Deus Pai”, a versão interlinear das traduções produzidas por Samuel Bagster and Sons, Limited, omite o artigo definido “o”, mesmo que o artigo definido grego ocorra no texto. The Emphatic Diaglott não hesita em colocar a palavra “o” sob o artigo definido grego quando ocorre antes do título “Deus”.

Neste respeito, examinemos aqueles versículos controversos de João 1:1, 2, que os clérigos da cristandade usam para provar a sua doutrina da Trindade ou de Um só Deus em Três Pessoas, como Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Nestes versículos, o termo grego Logos significa “Palavra”. Por isso, a versão interlinear da Diaglott reza: “Em um princípio era a Palavra, e a Palavra estava com o Deus, e um deus era a Palavra. Este estava em um princípio com o Deus.” No entanto, na sua versão em linguagem moderna abandona o artigo “o” antes de “Deus” e coloca o título “DEUS” em letras maiúsculas. Abandona também o artigo “um” antes de “princípio” e antes de “deus”, e coloca “o” antes de “princípio” e põe “deus” com inicial maiúscula, assim, “Deus”. Deste modo, a versão moderna reza: “No Princípio era o LOGOS, e o LOGOS estava com DEUS, e o LOGOS era Deus. Este estava no Princípio com DEUS.” Portanto, apenas a espécie de tipo usado mostra a diferença entre “o Deus” e “um deus”.

 Outras traduções bíblicas abandonam todo o uso do artigo indefinido “um” e inserem o artigo definido antes da palavra “princípio”, deixando fora o artigo definido “o” antes de Deus. Por exemplo, a Versão Rei Jaime ou Autorizada, em inglês, reza: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a palavra era Deus. O mesmo estava no princípio com Deus.” João 1:1, 2.

 No entanto, na sua versão interlinear de palavra por palavra, A Tradução Interlinear do Reino reza: “Em princípio era a Palavra, e a Palavra estava para com o Deus, e deus era a Palavra. Este (mesmo) estava em princípio para com o Deus.” Esta versão literal torna evidente que o escritor, o apóstolo João, fala de duas pessoas e mostra que aquela uma que estava com a Outra é diferente desta Outra. Por isso, a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas esforça-se para mostrar esta diferença, e, com exatidão gramatical e doutrinária, reza: “No princípio [para evitar em português confusão com ‘em princípio’] era a Palavra, e a Palavra estava com o Deus, e a Palavra era deus. Este estava no princípio com o Deus.” Para evitar dizer o indefinido “deus” ou “um deus”, outras traduções da Bíblia, tais como An American Translation e a do Dr. James Moffatt, dizem “divino”; e The New English Bible — New Testament diz “o que Deus era”, quer dizer, “o que Deus era, a Palavra era”. Assim, nem mesmo estas traduções da Bíblia podem ser usadas para provar a doutrina da Trindade.

Os trinitaristas não têm base para se queixar do uso de “um” antes de “deus”, como na edição inglesa da Tradução do Novo Mundo, porque todas as outras traduções bíblicas usam os artigos indefinidos “um” e “uma” centenas de vezes antes de palavras, embora não sejam encontrados em parte alguma no texto original grego. Não só isso, mas estas traduções inserem repetidas vezes o artigo definido “o” (ou “a”) antes de certas palavras onde não ocorre no grego. Tome, por exemplo, os muitos casos da palavra “espírito” ou das palavras “espírito santo”. Há casos no texto grego em que o artigo definido “o” (ou “a”) não ocorre antes destas palavras. Mas os tradutores trinitaristas alteram o sentido de sua tradução por inserirem “o” antes de “espírito” ou “espírito santo”, fazendo-o rezar “o espírito” e “o espírito santo”. Em tais casos escrevem também a palavra “Espírito” com letra inicial maiúscula, para dar ao leitor a impressão de que se refere a uma pessoa inteligente, à Terceira Pessoa de uma Trindade.

 Em tais casos, A Tradução Interlinear do Reino, na sua tradução palavra por palavra, mostra que não há ali nenhum “o”, e a Tradução do Novo Mundo não insere ali nenhum “o”, nem põe a palavra “espírito” com inicial maiúscula, mas deixa-a simplesmente “espírito” e “espírito santo”. Portanto, em Atos 6:3, os apóstolos dizem à congregação em Jerusalém: “Procurai vós mesmos, dentre vós, sete homens acreditados, cheios de espírito e de sabedoria.” Também, em Mateus 3:11, João Batista diz a respeito do vindouro Jesus Cristo: “Este vos batizará com espírito santo e com fogo.” Tal tradução do texto grego concorda com a verdade bíblica de que o espírito de Deus é a sua força ativa invisível, usada com um objetivo santo, de maneira santa.

 Foi por meio do seu espírito santo que Deus inspirou a escrita de todas as Escrituras Sagradas. Lemos em 2 Timóteo 3:16. “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar.” Mas, em vez das palavras “inspirada por Deus”, a tradução interlinear, palavra por palavra, mostra que a única palavra grega usada ali significa literalmente “soprada por Deus”. Deus como que soprou sobre os homens que ele inspirou a escrever a Bíblia Sagrada.

 Lá nos dias dos apóstolos, não havia muitos exemplares manuscritos das Escrituras Sagradas disponíveis, nem se escreviam livros sobre a Bíblia ou em explicação dela. Portanto, grande parte da instrução bíblica tinha de ser dada por se lerem os versículos bíblicos em voz alta para os estudantes, dando-se explicações verbais. Por isso, lemos em Gálatas 6:6: “Além disso, todo aquele a quem estiver sendo ensinada oralmente a palavra, partilhe todas as boas coisas com aquele que lhe dá tal ensino oral.” Mas a tradução interlinear faz ressaltar o sentido básico das palavras gregas usadas a respeito do ensino oral por usar as expressões “(aquele) para quem se faz ressoar para baixo” e “(aquele) quem faz ressoar para baixo”. Isto demonstra vividamente que o som da voz do instrutor penetrava nos ouvidos do seu estudante da Bíblia. Tornava o curso de instrução um de ensino oral.

PROTEÇÃO CONTRA O ERRO

 Poderíamos mencionar aqui muitos outros casos para demonstrar como A Tradução Interlinear do Reino das Escrituras Gregas, em inglês, salienta o significado exato na sua tradução de palavra por palavra debaixo do texto grego. Os estudantes da Bíblia que possuem a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs em alemão, espanhol, francês, holandês, italiano e português, além do inglês, são os que especialmente poderão avaliar estes pontos. Poderão avaliar de que modo a Tradução do Novo Mundo se esforça a verter a Palavra de Deus, conforme existe no original grego, nestas línguas com “palavras corretas de verdade” em cada idioma. Não se faz nenhuma afirmação de inspiração divina para estas traduções em língua moderna. Os tradutores tiveram de fazer o que até mesmo o inspirado escritor bíblico, “o congregante”, o Rei Salomão, teve de fazer, isto é, procurar “achar palavras deleitosas e a escrita de palavras corretas de verdade”. (Ecl. 12:10) No entanto, em toda esta pesquisa confiaram na orientação, não na inspiração, do espírito santo de Deus. Salomão, deveras, escreveu seus livros na Bíblia com “palavras deleitosas”. Os tradutores procuraram imitá-lo.

 Por causa de sua pesquisa do significado literal da língua original da Bíblia, A Tradução Interlinear do Reino pode servir como proteção contra o erro nestes dias em que muitos líderes religiosos ensinam coisas deturpadas, deturpando até mesmo a Palavra escrita de Deus. Há clérigos religiosos da cristandade que se apresentam e procuram impressionar os sinceros estudantes da Bíblia por afirmarem que conhecem a língua original da Bíblia e por isso sabem o que ela realmente diz. O estudante, porém, por recorrer à Tradução Interlinear do Reino das Escrituras Gregos, pode recorrer ao texto bíblico original e consultar a tradução literal, interlinear, desta língua. Pode assim verificar se aquilo que estes clérigos prepotentes dizem é verdade ou não. Deste modo, pode-se ajudar o estudante a apresentar argumentos de defesa e a proteger-se contra ser desencaminhado da verdade bíblica.

 Embora sejam os que sabem ler o inglês que tiram o máximo proveito da Tradução Interlinear do Reino, de modo direto, esta nova ajuda bíblica será usada pelos seus proprietários, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, na preparação de suas revistas, de seus livros, folhetos e de outras publicações. Deste modo, os que não sabem ler o inglês obterão indiretamente o proveito dela nos idiomas em que se publica a literatura da Sociedade. Portanto, todos os amantes da Palavra de Deus podem agradecer a Ele esta nova ajuda para o estudo da Bíblia.

Sabeis primeiramente isto, que nenhuma profecia da Escritura procede de qualquer interpretação particular. Porque a profecia nunca foi produzida pela vontade do homem, mas os homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo.  2 Ped. 1:20, 21

Notas

A Poliglota de Antuérpia foi precedida, em 1514-1517, pela Bíblia Poliglota Complutensiana, produzida pelo Cardeal Francisco Ximenes de Cisneros, na Espanha, e publicada em 1522.

O cabeçalho em latim acima desta parte usa a palavra “interlinear” e reza: “TEXTO HEBRAICO, com a versão interlinear de Sanctes Pagninus, contrabalançada com a frase hebraica por Ben. Arias Montanus e outros.”

Acima desta parte há o cabeçalho em latim que reza: “Texto grego do Novo Testamento da edição de Robert Stephanus, com a versão INTERLINEAR, elaborada por Benedito Arias Montanus Hispalensis, segundo o sentido da língua grega.”

No que se refere a uma versão comparativa grega-alemã, o Dr. Eberhard Nestle publicou o seu Novum Testamentum Graece et Germanice no ano 1898. Segundo o frontispício, esta obra apresenta O Novo Testamento em grego e em alemão, conforme editado por Eberhard Nestle - O Texto Grego com variantes e Manuscritos e Edições - O Texto Alemão segundo a nova edição revisada da tradução de Lutero, comparada com a última edição de Lutero em 1545. Nesta obra, cada página do texto grego tem ao lado, na página oposta, a tradução alemã.

Em 1903, A Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira publicou a Bíblia hebraica inteira, com o texto hebraico na coluna de fora, de cada página, e o texto bíblico da Versão do Rei Jaime ou Autorizada na coluna interna, ao lado. Mas esta, naturalmente, não era uma tradução interlinear.

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